Comprei a bicicleta no "leboncoin.com", o equivalente francês do Mercado Livre, por 60 euros, incluindo as sacolinhas. Planejava uma viagem de uma semana, solo, acampando pelo Vale do Loire, e precisava de uma bicicleta com algumas marchas, para lamas e bagageiro para carregar minha tralha. A historia da compra da bike e da viajem pelo Loire eu contei no "Blog do Rabuja" (
www.dorabuja.blogspot.com) e a passei a limpo no foto-livro "Retiro Espiritual", a venda no Blurb (
www.blurb.com/b/7738490-spiritual-retreat).
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| Bicicleta as was |
Comprei-a sem saber nada a respeito dela. Fabricante, modelo, ano... mistério! Os furinhos na frente do tubo de direção indicavam que ali havia um escudo do fabricante, mas os decalques e a pintura estavam tão arrebentados que foi impossível encontrar rastro de quem a fabricou. Um pouco de especulação no que restava de dois decalques e dos fabricantes existentes na França me levaram à "Furor Cycles":
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| head tube sem escudo |
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| Da para adivinhar? |
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| Furor? |
A "Furor Cycles" existiu no inicio do século passado e aparentemente chegou a fabricar 10 000 bicicletas por ano. Infelizmente não consegui encontrar um catalogo ou fotos de bicicletas Furor, portanto não pude confirmar a marca. Tudo o que encontrei foi uma imagem da fabrica, uma foto de um escudo e um poster de propaganda, mas nenhuma das imagens ou fontes utilizadas se assemelham ao decalque no meu quadro.
Na internet, achei também que uma equipe chamada "Furor Cycles" participou do "Tour de France" em 1907, mas a bike é certamente muito mais moderna que isso. O modelo de
derailer usado
(o sistema que faz a corrente pular de um pinhão ao outro, trocando as marchas) é um sistema da Simplex chamado "Grand Prix Duralumin" a coloca entre 1948 e 1953.
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| derailler traseiro |
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| derailler traseiro |
Não podendo confirmar o fabricante resolvi reformar a bike com base em seu apelido mais carinhoso, Genoveva (ou Geneviéve, em Francês), homenagem à primeira moto (funcional) de meu pai, por sua vez apelidada carinhosamente com o terceiro nome de outra francesa nascida na mesma época que esta bicicleta, minha mãe.
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| Prisca Maria e a Genoveva Primeira |
A bike foi devidamente desmontada e limpa. Removi a velha pintura na tentativa de encontrar outras marcações do fabricante no quadro e para remover riscos e ferrugem antes de passar um primer e a nova pintura. Encontrei o numero "1" gravado no olhal da roda traseira onde muitas vezes se gravava o numero de serie, mas não necessariamente.
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| Em pedaços |
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| Detalhes |
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| Numero 1 gravado no chassis |
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| Peladinha |
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| Com roupa interior |
Sem certeza do fabricante nem referências de como poderiam ser suas marcações originais construí decalques com o nome Geniviéve e com um logo bastante paranista inspirado nos pinhões de João Turim.
Apesar de seus quase 70 anos e dos mais de 700 kms que eu rodei com a bicicleta no meu Tour du Loire no ano passado, apenas dois concertos foram necessários ao remontar a Genoviéve: substituir uma esfera de rolamento, a que quebrou no meu ultimo dia de viagem, e refazer a rosca que prende o garfo do derailer dianteiro pois espanei o parafusos ao desmonta-lo.
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| Cossinete em ação |
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E uma vez toda montada, voila o resultado final:
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| Escudo REC é temporario. Assim que possivev sera trocado por algo mais relevante |
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| Porta-rego em couro escovado |
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| Detalhe do mecanismo de cambio |
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| Acabamento feito à mão |
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| Posando de troféu |
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| Primeiro teste de campo |
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| E de volta ao seu habitat natural, viajando pela Borgonha |
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