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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

URUGUAI 2019 - De Curitiba a Punta del Este


Helena e Zydeco desmontados e embalados. Os alforges foram mais que suficientes para as tralhas e dormi as 3 horas que me cabiam tranquilamente. 5h30 a Francisca aportou no aeroporto de Curitiba e iniciamos uma infrutífera discussão com a Azul Linhas Aéreas, que cobrou R$ 487 + a taxa de bagagem que já estava paga para despachar as duas bicicletas. Tá. Foi. 

Na conexão em Porto Alegre, correria pelo adiantado da hora. Primeiro raio-x, perguntam sobre líquidos na bagagem. Sim, temos. Pouco, em mini-frascos. Pedem pra tirar tudo e colocar em sacos plásticos transparentes. Ok, procedimento de segurança. E onde havia o luxo das sacolinhas? No check-in, em outro andar do aeroporto. Nick correu até lá e teve que comprar a extorsivos R$ 4 a unidade. Voltamos, vitoriosos, ao raio-x, abanando nossos saquinhos plásticos. Começamos a revirar as tralhas para separar os perigosos líquidos, no que ouvimos, incrédulos, que poderíamos realizar o procedimento APÓS o passar pelo aparelho! Segurança... nhuf!

Viagem tão breve que não dá pra entender por quê tão cara! Desembarcamos em Montevidéu. Passa, imigração, passa duty free, passam esteiras. Lá no fundo, Helena com a embalagem toda avariada estava jogada no chão ao lado da esteira. Não avistamos Zydeco de cara. O encontramos, também jogado no chão, na fila de informações. Recolhemos as bicis, fotografamos, postamos nas redes marcando a Azul. Nada. Nadica. 


Pegamos o primeiro ônibus para Punta del Este. Talvez por terem nomes de pessoas, as bicis pagaram passagem cheia. O ônibus era chamado de "primeira classe". Foi praticamente direto até o balneário de Solís, por onde passaremos somente depois de quatro dias de estrada e, à partir daí, parou de balneário em balneário... Chegamos no terminal rodoviário de Punta del Este perto das 15h30, debaixo de uma tempestade marítima daquelas que viram notícia!

Montamos as bicis sob a farta marquise do terminal, mas o vento forte varria tudo com jatos d'água. Um spray incessante. Sob olhares curiosos, Helena e Zydeco voltaram às suas formas e funções com apenas leves escoriações. O olho de gato traseiro da Helena e seu farolete também traseiro não sobreviveram aos maus-tratos da companhia aérea - que, repito, cobra um belo plus para transportar bicicletas encaixotadas. Atualização: ainda sem resposta com relação a isso.


E assim, vestidos de espermatozóides avatares, pedalamos por cerca de dez minutos sob uma chuvinha já bem enfraquecida, mas constante, para chegarmos no apartamento do Mauro, que acolheu nossas carcaças naquela noite. Fomos muito bem recebidos e as bicicletas foram muito bem-vindas dentro do apartamento no terceiro andar que, apesar ou por ser antigo, possui rampas para acesso de bicocletas, cadeiras de rodas e carrinhos de bebê. Além do elevador. Civilização. 

Terminamos o dia na companhia de amigos de amigos, daqueles que rapidamente já se tornam também bons amigos. Nos levaram em um restaurante chamado El Palenque para saborear os maravilhosos assados e vinhos regionais. Começamos com morcillas e mollejas, passamos por um cordeiro e terminamos uma panqueque de manzana única. Estonteante. 

Voltamos cedo e apagamos, mesmo com o primeiro dia pedalando e alimentando a ansiedade.

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